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A tese intitulada “Escola Indígena para manejo e domesticação do mundo: os desafios da educação escolar indígena no Alto Rio Negro” será apresentada à banca na próxima segunda-feira, 31/10, no Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UNB).
O trabalho analisa a demanda dos povos indígenas do Alto Rio Negro por educação escolar e universitária nos últimos anos e o lugar que a escola e o mundo moderno ocupam no imaginário atual desses povos, a partir do qual projetam e constroem seu futuro.
O principal pressuposto é de que, após séculos de contato e dominação colonial, estes povos decidiram apropriar-se dos conhecimentos, bens e serviços do mundo global moderno para resolver ou amenizar os problemas que enfrentam desde o período pré-contato até aos dias de hoje. Nesse sentido, a escola foi escolhida como um dos principais meios para a apropriação de conhecimentos dos não índios e dos seus modos de vida.
Segundo Gersem Baniwa, a escola indígena, portanto, não é vista como instrumento preferencial de fortalecimento ou resgate de culturas e identidades tradicionais, como pressupõe a ideia mais comum de escola indígena diferenciada, mas como mecanismo de aproximação e interação com o mundo extra-aldeia global.
O trabalho sugere que, em relação às questões culturais e identitárias, é desejável que a escola contribua, facilite e apoie iniciativas, mas considera que estas devem ser de responsabilidade geral das famílias, das comunidades e dos povos indígenas.
Participam da banca os professores Stephen Grant Baines (DAN/UnB), orientador da tese, Alcida Rita Ramos (DAN/UnB), Antônio Carlos de Souza Lima (Museu Nacional/RJ), Rita Nascimento Gomes (UFC/CE) e José Antônio Vieira Pimenta (DAN/UnB).
A defesa começa às 14h e é aberta ao público interessado.
Sobre o autor Gersem José dos Santos Luciano é indígena do povo Baniwa, de São Gabriel da Cachoeira (AM). Graduado em Filosofia pela Universidade Federal do Amazonas (1995) e mestre em Antropologia Social pela UnB (2006). Foi secretário municipal de educação de São Gabriel da Cachoeira, co-fundador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN). Atualmente é coordenador geral de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC), diretor-presidente do CINEP e professor do curso de Licenciatura Indígena da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
O Cinep parabeniza Gersem Baniwa por mais esta conquista!
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